segunda-feira, 14 de novembro de 2011

DIÁRIO DO VAMPIRO

DIÁRIO DO VAMPIRO(THE VAMPIRES DIARY):O DESPERTAR

SINOPSE:
Irmãos e inimigos mortais, Damon e Stefan Salvatore são assombrados por um passado trágico. Vivendo nas sombras desde a Renascença italiana, eles estão condenados a uma vida solitária: são vampiros. Séculos mais tarde, o destino parece levá-los a percorrer o mesmo caminho que um dia os conduziu í quela vida amaldiçoada e eterna.
Em Fell's Church, na Virgí­nia, Stefan conhece Elena Gilbert, uma adolescente bela e popular. No encalço de Stefan, Damon procura vingança, e logo Elena se verá divida entre os dois irmãos - e entre o amor e o perigo.







LEIA O PRIMEIRO CAPITULO DO LIVRO:
14 de setembro

Querido diário,
Alguma coisa terrível vai acontecer hoje.
Não sei por que estou escrevendo isso. É loucura. Não há motivos para eu estar aborrecida e todos os motivos para ficar feliz, mas...
Mas aqui estou eu, às cinco e meia da manhã, acordada e apavorada. Fico dizendo a mim mesma que é só porque estou totalmente confusa com a diferença de fuso horário entre a França e aqui. Mas isso não explica por que estou tão assustada. Porque estou tão perdida.
Dois dias atrás, enquanto a tia Judith, Margaret e eu estávamos voltando de carro do aeroporto, eu tive uma sensação estranha. Quando entramos na nossa rua, de repente pensei, “A mamãe e o papai estão em casa esperando por nós. Aposto que estarão na varanda da frente ou na sala, olhando pela janela. Eles devem ter sentido muito a minha falta”.
Eu sei. Isso é totalmente maluco.
Mas mesmo quando eu vi a casa e a varanda vazia, ainda senti isso. Corri pela escada e experimentei a porta, até bati a aldrava. E quando a tia Judith destrancou a porta, eu explodi para dentro e fiquei no corredor escutando, esperando ouvir minha mãe descer a escada ou meu pai chamando do gabinete dele.
Foi aí que tia Judith deixou a mala cair no chão com estrondo atrás de mim, soltou um suspiro imenso e disse, “Estamos em casa”. Depois, Margaret riu. E me veio a sensação mais terrível que tive em toda minha vida. Nunca me senti tão completamente perdida.
Casa. Estou em casa. Por que isso parece uma mentira?
Eu nasci aqui, em Fell’s Church. Sempre morei nesta casa, sempre. Este é meu velho quarto de sempre, com a marca de queimadura no piso de madeira de quando Caroline e eu tentamos fumar escondido no quinto ano e quase sufocamos. Posso olhar pela janela e ver o grande marmeleiro, que Matt e os meninos escalaram para invadir a festa do pijama do meu aniversário há dois anos. Esta é a minha cama, minha cadeira, minha cômoda.
Mas neste momento tudo me parece estranho, como se este não fosse o meu lugar. Eu é que estou deslocada. E o pior é que eu sinto que pertenço a algum lugar, mas não consigo descobrir qual é.
Ontem eu estava cansada demais para ir ao primeiro dia de aula. Meredith pegou meu horário para mim, mas eu não tive vontade de falar com ela ao telefone. A tia Judith disse a todos que ligaram que eu estava com jet lag e dormindo, mas ela me olhava de um jeito estranho no jantar.
Mas hoje vou ter que ver o pessoal. Temos que nos encontrar no estacionamento antes da aula. Será por isso que estou assustada? Será que tenho medo deles?

Elena Gilbert parou de escrever. Olhou a última frase que escrevera e sacudiu a cabeça, a caneta pairando sobre o pequeno livro com capa de veludo azul. Depois, com um gesto repentino, ela levantou a cabeça e atirou caneta e livro na grande janela de sacada, onde eles quicaram inocuamente e caíram no assento acolchoado.
Era tudo tão completamente ridículo.
Desde quando ela, Elena Gilbert, tinha medo de encontrar alguém? Desde quando tinha medo de alguma coisa? Ela se levantou e passou os braços com raiva num quimono de seda vermelha. Nem olhou para o elaborado espelho vitoriano acima da cômoda de cerejeira: sabia o que veria ali. Elena Gilbert, descolada, loura e magra, a que lançava moda, a veterana do ensino médio, a garota que todo menino queria ter e toda menina queria ser. Que agora tinha uma careta incomum na cara e a boca num biquinho.
Um banho quente e um café e vou me acalmar, pensou ela. O ritual matinal de se lavar e se vestir era tranquilizador, e ela se demorou nele, vasculhando as novas roupas de Paris. Por fim escolheu um top rosa claro e short branco de linho que a deixavam parecida com um sundae de framboesa. Dá vontade de comer, pensou Elena, e o espelho mostrou uma garota com um sorriso secreto. Seus temores anteriores derreteram, esquecidos.
— Elena! Onde você está? Vai se atrasar para a escola! — A voz vagou fraquinha do primeiro andar.
Elena passou a escova mais uma vez pelo cabelo sedoso e o prendeu atrás com um elástico rosa escuro. Depois pegou a mochila e desceu a escada.
Na cozinha, Margaret, de quatro anos, comia cereais à mesa e tia Judith queimava alguma coisa no fogão. A tia Judith era o tipo de mulher que sempre parecia meio atrapalhada; tinha um rosto fino e meigo, e cabelo claro ondulado, puxado de qualquer jeito para trás. Elena lhe plantou um beijo no rosto.
— Bom dia a todo mundo. Desculpe por não ter tempo para o café da manhã.
— Mas Elena, não pode sair sem comer nada. Precisa de proteína...
— Vou comprar um donut antes da aula — disse Elena alegremente. Ela deu um beijo na cabeça de Margaret e se virou para sair.
— Mas Elena...
— E é provável que eu vá para casa de Bonnie ou Meredith depois da aula, então não me espere para o jantar. Tchau!
— Elena...
Ela já estava na porta da frente. Elena a fechou depois de passar, interrompendo os protestos distantes da tia Judith, e foi para a varanda.
E parou.
Todas as sensações ruins da manhã tomaram-na de novo. A ansiedade, o medo. E a certeza de que alguma coisa horrível estava prestes a acontecer.
A Maple Street estava deserta. As altas casas vitorianas pareciam estranhas e silenciosas, como se todas estivessem desocupadas, como as casas de um set de filmagem abandonado. Todas davam a impressão de não conter gente, mas sim coisas estranhas que a observavam.
Era isso; alguma coisa a observava. O céu não estava azul, mas leitoso e opaco, como uma tigela gigante virada de cabeça para baixo. O ar era abafado e Elena tinha certeza de que alguém a olhava.
Ela teve um vislumbre de alguma coisa escura nos galhos do velho marmeleiro na frente da casa.
Era um corvo, empoleirado imóvel nas folhas amareladas. E era aquilo que a observava.
Ela tentou dizer a si mesma que isso era ridículo, mas de algum modo ela entendeu. Era o maior corvo que vira na vida, roliço e lustroso, com um arco-íris cintilando nas penas do dorso. Ela podia ver cada detalhe dele com clareza: as garras escuras e ávidas, o bico afiado, um olho preto reluzindo.
Estava tão imóvel que podia ser um modelo de cera de uma ave pousada ali. Mas, enquanto a olhava, Elena se sentiu corar aos poucos, o calor vindo em ondas pelo pescoço e as bochechas. Porque ele... olhava para ela. Da mesma maneira que os meninos olhavam quando ela usava um traje de banho ou uma blusa transparente. Como se a estivesse despindo com os olhos.
Antes que percebesse o que fazia, ela largou a mochila e pegou uma pedra ao lado da entrada da casa.
— Sai daqui — disse ela, e ouviu a raiva tremer em sua voz. — Sai! Sai daqui! — Com a última palavra, ela atirou a pedra.
Houve uma explosão de folhas, mas o corvo voou sem se ferir. Suas asas eram imensas e o barulho que faziam parecia o de um bando inteiro de corvos. Elena se agachou, de repente em pânico, enquanto ele voava diretamente sobre sua cabeça, o vento das asas agitando seu cabelo louro.
Mas ele subiu de novo e circulou, uma silhueta preta contra o céu branco como papel. Depois, com um grasnado áspero, voou para o bosque.
Elena endireitou o corpo lentamente, depois olhou em volta, constrangida. Não acreditava no que acabara de fazer. Mas agora a ave se foi e o céu parecia comum de novo. As folhas tremularam com uma brisa e Elena respirou fundo. Na rua, uma porta se abriu e várias crianças saíram, aos risos.
Ela sorriu para elas e respirou fundo de novo, o alívio dominando-a como a luz do sol. Como pôde ter são boba? Era um lindo dia, cheio de promessas, e nada de ruim ia acontecer.
Nada de ruim ia acontecer — exceto que ela ia chegar atrasada na escola. O pessoal todo estaria esperando por ela no estacionamento.
Eu posso muito bem dizer a todos que parei para atirar pedras num pervertido que estava me espiando, pensou ela, e quase riu. Ora essa, isto teria dado no que pensar.
Sem olhar para o marmeleiro que ficava para trás, Elena começou a andar pela rua o mais rápido que pôde.

O corvo se chocou com o alto de um carvalho imenso e a cabeça de Stefan se voltou repentinamente por reflexo. Quando viu que era só um pássaro, relaxou.
Seus olhos caíram na forma branca e flácida em suas mãos e ele sentiu o rosto contorcer de arrependimento. Ele não pretendia matá-lo. Teria caçado alguma coisa maior do que um coelho se soubesse que estava com tanta fome. Mas é claro que era isto que o assustava: jamais saber a intensidade de sua fome, ou o que poderia fazer para aplacá-la. Ele teve sorte por, desta vez, matar só um coelho.
Ele estava embaixo dos antigos carvalhos, a luz do sol infiltrando-se até seu cabelo ondulado. De jeans e camiseta, Stefan Salvatore parecia exatamente um aluno normal do ensino médio.
Mas não era.
Imerso no bosque, onde ninguém poderia vê-lo, ele foi se alimentar. Agora lambia meticulosamente as gengivas e os lábios, para se assegurar de não ter deixado nenhuma mancha. Ele não queria se arriscar. Este embuste já seria difícil o suficiente sem isso.
Por um momento ele se perguntou, mais uma vez, se devia desistir de tudo. Talvez devesse voltar à Itália, a seu esconderijo. O que o fazia pensar que podia voltar ao mundo da luz do dia?
Mas ele estava cansado de viver nas sombras. Estava cansado da escuridão e, das coisas que viviam nela. Acima de tudo, estava cansado de ficar só.
Ele não tinha certeza do motivo para ter escolhido Fell’s Church, na Virginia. Era uma cidade nova, pelos padrões dele; os prédios mais antigos tinham sido construídos apenas há um século e meio. Mas as lembranças e os fantasmas da Guerra Civil ainda viviam ali, tão reais quanto os supermercados e lanchonetes.
Stefan apreciava o respeito pelo passado. Pensou que poderia vir a gostar das pessoas de Fell’s Church. E talvez — só talvez — pudesse encontrar um lugar entre elas.
É claro que ele nunca seria completamente aceito. Um sorriso amargurado curvou seus lábios com esta ideia. Ele sabia muito bem que não havia esperança para isso. Nunca haveria um lugar onde ele pudesse se sentir inteiramente à vontade, onde pudesse ser verdadeiramente ele mesmo.
A não ser que ele escolhesse pertencer às sombras...
Ele afugentou esta ideia. Havia renunciado à escuridão; deixara as sombras para trás. Estava riscando todos aqueles longos anos e começando do zero, hoje.
Stefan percebeu que ainda segurava o coelho. Delicadamente, depositou-o no leito das folhas marrons de carvalho. Ao longe, distantes demais para os ouvidos humanos captarem, ele reconheceu os ruídos de uma raposa.
Venha, irmã caçadora, pensou ele com tristeza. Seu café da manhã a espera.
Enquanto pendurava o casaco no ombro, ele percebeu o corvo que o perturbara mais cedo. Ainda estava empoleirado no carvalho e parecia observá-lo. Havia algo de errado nisso.
Stefan começou a se concentrar nele, examinando a ave, mas se deteve. Lembre-se de sua promessa, pensou ele. Não use os Poderes a não ser que seja absolutamente necessário. A não ser que não haja alternativa.
Movendo-se quase em silêncio em meio às folhas mortas e os galhos secos, ele chegou à a beira do bosque. Seu carro estava estacionado ali. Ele olhou para trás, uma vez, e viu que o corvo havia deixado os galhos e descera até o coelho.
Havia alguma coisa sinistra no modo como ele abria as asas sobre o corpo branco e flácido, algo funesto e triunfante. Stefan hesitou por um instante e quase correu de volta para afugentar o pássaro. Ainda assim, a ave tinha tanto direito de comer quanto a raposa, disse ele a si mesmo.
Tanto direito quanto ele próprio.
Se ele encontrasse a ave de novo, olharia em sua mente, decidiu. Então, Stefan tirou os olhos do corvo e correu pelo bosque, com o queixo empinado. Não queria se atrasar para as aulas na Robert E. Lee High School.

DIÁRIO DO VAMPIRO"A FÚRIA" (THE FURY)



















SINOPSE:
Há séculos, o poder de um grande amor fez suas vítimas: Stefan e Damon Salvatore foram condenados a atravessar gerações como mortos-vivos. Agora a paixão por Stefan sela o destino da jovem Elena Gilbert. Ela é encontrada morta à beira de um rio, mas um estranho – e perigoso – Poder a conduzirá em direção a um novo mundo.

Elena é uma vampira – e pertence a Damon. Enquanto a cidade está de luto pela perda de sua menina de ouro, coisas estranhas e sobrenaturais estão acontecendo. Para que a cidade não seja destruída, Stefan e Damon devem unir forças.

E quando um caça-vampiros chega à cidade, os caçadores transformam-se em caça. Stefan, Damon e Elena precisarão ficar juntos para encontrar o mal que quer lembrar aos três e a todos de Fell’s Church suas verdadeiras origens.

LEIA O PRIMEIRO CAPITULO

Elena entrou na clareira.
Sob os pés, farrapos de folhas de outono congelavam na lama. O anoitecer havia caído e o bosque ficava mais frio, embora a tempestade agora esmorecesse. Elena não sentia o frio.
Tampouco ligava para a escuridão que a cercava. Com as pupilas completamente dilatadas, Elena captava quaisquer mínimas partículas de luz que teriam sido invisíveis a um humano.
Ela conseguia enxergar com muita clareza duas figuras lutando sob o grande carvalho.
Uma tinha cabelos escuros e grossos que o vento agitava num mar tumultuado de cachos. Era um pouco mais alta do que a outra, e Elena de algum modo sabia que tinha olhos verdes,
embora não pudesse enxergar o rosto.
A outra figura também tinha cabelos pretos, mas eram finos e lisos, quase como o pelo de um animal. Os lábios se repuxavam nos dentes em fúria, com todo o charme indolente
de seu corpo agachado numa postura de pantera. Os olhos eram negros como a noite.
Elena os observou por vários minutos sem se mover. Ela se esquecera por que tinha ido ali, por que havia sido atraída pelos ecos dessa batalha, que ecoavam em sua mente. Esta proximidade, o clamor da raiva, do ódio e da dor dos dois era quase ensurdecedor, como gritos silenciosos vindo dos lutadores.
Eles travavam um combate mortal.
Qual deles vencerá?, pensou ela. Os dois estavam feridos e sangravam, e o mais alto tinha o braço esquerdo pendendo num ângulo pouco natural. Ainda assim, ele acabara de golpear
o outro contra o tronco nodoso de um carvalho. A fúria dele era tanta que Elena podia senti-la e saboreá-la, assim como também ouvi-la, e sabia que isso conferia a ela uma
força inacreditável.
E então Elena se lembrou do motivo para ter vindo. Como poderia ter se esquecido? Ele estava ferido. A mente dele a convocara até aqui, espancara-a com ondas de raiva e dor. Ela veio ajudá-lo, porque ela pertencia a ele.
As duas figuras agora estavam no chão gelado, lutando como lobos, rosnando. Rápida e silenciosamente Elena foi até eles. Aquele com o cabelo ondulado e olhos verdes — Stefan,
uma voz em sua mente sussurrou — estava por cima, os dedos arranhando o pescoço do outro. A raiva tomou conta de Elena, raiva e senso de proteção. Ela estendeu o braço en-
tre os dois para impedir aquela mão que sufocava, para erguer seus dedos.
Não ocorreu que ela devia ser forte o bastante para fazer isso. Ela se sentia muito forte, e isso bastava. Ela lançou o peso do corpo para o lado, arrancando seu cativo do adversário que
o feria. Providencialmente, jogou-se com força sobre o braço ferido dele, derrubando-o de cara para o chão tomado de folhas.

Depois começou a estrangulá-lo por trás.
O ataque dela o pegou de surpresa, mas ele não estava nem um pouco derrotado. Ele revidou, a mão boa apalpando o pescoço de Elena. Até que o polegar dele cravou em sua via
respiratória.
Elena logo se percebeu investindo contra a mão dele, procurando- a com os dentes. A mente dela não conseguia entender o que se passava, mas seu corpo sabia o que fazer. Seus dentes eram uma arma e eles se cravaram na carne dele, arrancando sangue.
Mas ele era bem mais forte do que ela. Com uma virada de ombros, ele se soltou e se livrou das mãos dela, virando-a para baixo. E depois ele estava por cima dela, com uma expressão
contorcida de fúria bestial. Ela sibilou para ele e partiu para atacar seus olhos com as unhas, mas ele afastou a mão dela para longe.
Ele ia matá-la. Mesmo ferido, era muito mais forte. Os lábios dele se repuxaram e mostraram os dentes já manchados de escarlate. Como uma serpente, ele estava pronto para dar o
bote.
E então parou, pairando acima dela, a expressão em seu rosto transformando-se. Elena viu os olhos verdes dele se arregalarem. As pupilas, que tinham se contraído a níveis cruéis, dilataram-se. Ele a encarava como se verdadeiramente a visse pela primeira vez.
Por que ele olhava para ela desse jeito? Por que ele simplesmente não acabava com logo com tudo? Mas agora a mão de ferro sobre o ombro de Elena a soltava. O esgar animal
desaparecera, substituído por um olhar de pasmo e admiração.
Ele se sentou, ajudou-a a se sentar, enquanto olhava seu rosto.
— Elena — sussurrou ele, a voz entrecortada. — Elena, é você.
É isso que eu sou?, pensou ela. Elena?
Não importava. Ela lançou um olhar para o antigo carvalho.
Ele ainda estava ali, parado entre as raízes reviradas, arfando, apoiando-se na árvore com a mão. Ele olhava para ela com seus olhos negros intermináveis e as sobrancelhas unidas numa
carranca.
Não se preocupe, pensou ela. Posso cuidar deste aqui. Ele é idiota. Depois ela se lançou para o de olhos verdes novamente. — Elena! — gritou Stefan enquanto ela o chutava para trás.
A mão dele que ainda estava boa a segurou pelo ombro e ergueu- a. — Elena, sou eu, Stefan! Elena, olhe para mim!
Ela olhava. Mas só o que conseguia enxergar era o trecho exposto de pele que havia no pescoço dele. Ela sibilou de novo, o lábio superior recuou, revelando seus dentes.
Ele ficou paralisado.
Elena sentiu o choque reverberar pelo corpo de Stefan, viu o olhar dele se espatifar. A expressão facial de Stefan ficou completamente lívida, como se alguém o tivesse golpeado. Ele
sacudiu ligeiramente a cabeça no chão lamacento.
— Não — sussurrou ele. — Ah, não...
Ele parecia estar falando consigo mesmo, como se nem confiasse que ela o ouviria. Stefan estendeu a mão até o rosto de Elena e ela o interceptou com um tapa.
— Oh, Elena... — ele sussurrou.
Os últimos vestígios de fúria, de toda aquela sede animal por sangue, desapareceram do rosto dele. Stefan exibia um olhar confuso, magoado e triste.
E vulnerável. Elena tirou proveito do momento para atacar o pescoço exposto de Stefan. O braço dele subiu para impedi-la, empurrá-la, mas então pendeu novamente.
Ele a encarou por um instante, a dor tomando conta do olhar de Stefan até que ele simplesmente desistiu. Parou inteiramente de lutar.
Ela pôde sentir isso acontecer, sentiu a resistência deixar o corpo de Stefan. Ele permaneceu deitado no chão gelado com pedaços de folhas de carvalho no cabelo, olhando para além
dela, fitava o céu escuro e nublado.
Acabe logo com isso, dizia a voz cansada que ecoava na mente de Stefan.
Elena hesitou por um instante. Havia algo naquele olhar que sugeria lembranças dentro dela. De pé à luz da lua, sentado num quarto de sótão... Mas as lembranças eram vagas demais. Ela não conseguia apreendê-las e o esforço a deixava tonta e nauseada.
E este aqui tinha de morrer, o dos olhos verdes, chamado Stefan. Porque ele foi ferido, o outro, aquele para quem Elena nasceu. Ninguém podia machucar aquele homem e continuar
vivo.
Ela cerrou os dentes no pescoço dele e mordeu fundo.
Logo percebeu que não estava fazendo do jeito certo. Não atingira nenhuma artéria ou veia. Ela mordeu então a garganta dele, com raiva da própria inexperiência. Era bom morder alguma coisa, mas não saía sangue suficiente. Frustrada, ergueu a cabeça e o mordeu novamente, sentindo o corpo dele se sacudir de dor.
Muito melhor. Desta vez ela encontrou uma veia, mas não a rasgou fundo o bastante. Um pequeno arranhão como aquele não era o bastante. O que ela precisava era rasgá-la, fazer
jorrar o sangue quente e suculento.
A vítima tremia enquanto Elena a atacava, os dentes revirando e roendo. Ela sentiu a carne ceder quando mãos a puxaram, erguendo-a por trás.
Elena rosnou sem soltar o pescoço. Mas aquelas mãos eram insistentes. Um braço passou por sua cintura, dedos se entrelaçaram em seu cabelo. Ela lutou, agarrando a presa com dentes
e unhas.
Solte-o! Deixe-o!
A voz era ríspida e exigente, como uma lufada de vento frio.
Ao reconhecê-la, Elena parou de lutar com as mãos que a puxavam.
Enquanto era colocada no chão, Elena finalmente reparou nele, e um nome veio a sua mente. Damon. O nome dele era Damon. Ela o encarou enfurecida, ressentida por ter sido
arrancada de sua presa, mas obediente.
Stefan estava sentado, o pescoço vermelho de sangue. O líquido escorrendo pela camisa. Elena lambeu os lábios, sentindo uma palpitação faminta que parecia vir de cada fibra de seu
ser. Ela ficou tonta de novo.
— Eu pensei — disse Damon em voz alta — que você tivesse dito que ela estava morta.
Ele olhava para Stefan, que estava ainda mais pálido do que antes, como se isso fosse possível. Aquela cara branca encheuse de uma desesperança infinita.
— Olhe para ela. — Foi tudo o que ele disse.
Uma mão puxar o queixo de Elena, levantando seu rosto.
Ela encontrou os olhos escuros e estreitos de Damon. Depois dedos longos e finos tocaram os lábios dela, examinando o que havia entre eles. Por instinto, Elena tentou mordê-lo, mas nada
muito forte. O dedo de Damon encontrou a curva acentuada de um canino e Elena agora o travou, com uma mordiscada, como de um gatinho.
O rosto de Damon não demonstrou qualquer expressão, os olhos petrificados.
— Sabe onde você está? — disse ele.
Elena olhou em volta. Árvores.
— No bosque — disse ela com astúcia, voltando a olhar para ele.
— E quem é aquele ali?
Ela seguiu o dedo que apontava.
— Stefan — disse ela com indiferença. — Seu irmão.
— E quem sou eu? Sabe quem sou eu?
Ela sorriu para ele, mostrando os dentes pontiagudos.
— É claro que sei. Seu nome é Damon e eu amo você.

DIÁRIOS DO VAMPIRO"O CONFRONTO"
























SINOPSE:
Há muito tempo, quando transformou Damon e Stefan em vampiros, a bela Katherine nunca imaginou que separaria os irmãos para sempre. Seu coração pertencia aos dois, mas ambos a queriam para si. A batalha pelo coração da jovem culminou em sua morte e num pacto de vingança entre os irmãos Salvatore. Refém do acaso, Elena Gilbert não demora a perceber que, se existe algo mais arriscado do que estar apaixonada por um vampiro, é ser desejada por dois deles. Enquanto Stefan luta para controlar seus instintos, Damon persevera na missão de conquistar Elena; mas o perigo espreita o destino dos três.

LEIA O PRIMEIRO CAPÍTULO:

Damon!
O vento gelado vergastava o cabelo no rosto de Elena, investindo contra seu leve
suéter. Folhas de carvalho giravam entre as filas de lápides de granito e as árvores chacoalhavam os galhos num frenesi. As mãos de Elena estavam geladas, os lábios e bochechas completamente entorpecidos, mas ela continuou ali de pé, gritando, berrando ao vento.
— Damon!
Este clima era uma mostra do seu Poder, e a intenção era afugentá-la. Não deu certo. A ideia de que o mesmo Poder se voltaria contra Stefan despertou uma fúria quente dentro de Elena, queimando contra o vento. Se Damon fizesse algo contra
Stefan, se Damon o ferisse...
— Mas que droga, responda! — gritou ela para os carvalhos
que margeavam o cemitério.
Uma folha morta de carvalho, feito uma garra castanho-esbranquiçada,
deslizou até seus pés, mas não houve resposta.
No alto, o céu era cinza como vidro, cinza como as lápides que a cercavam. Elena sentiu a raiva e a frustração acomodando-se em sua garganta e cedeu. Ela se enganara. Damon não estava ali, afinal; ela estava sozinha com o vento uivante.
Elena se virou — e engasgou.
Ele estava bem atrás dela, tão perto que as roupas de Elena roçaram nele quando ela se virou. A essa distância, ela devia ter sentido outro ser humano parado ali, sentido o calor do corpo dele ou tê-lo ouvido. Mas Damon, evidentemente, não
era humano.
Ela recuou alguns passos antes de conseguir parar. Cada instinto que permanecera quieto enquanto ela gritava para a fúria do vento agora latejava em seu corpo.
Elena cerrou os punhos.
— Onde está Stefan?
Uma ruga apareceu entre as sobrancelhas escuras de Damon.
— Que Stefan?
Elena avançou um passo e deu um tapa nele.
Fez isso sem pensar e depois mal conseguiu acreditar no que fizera. Mas foi um belo tabefe, no qual ela empregou toda a sua força, e atingiu uma das faces de Damon. Sua mão ardeu. Ela se manteve firme, tentando acalmar a respiração, e o observou.
Ele estava vestido como na primeira vez em que Elena o vira, de preto. Botas pretas e macias, jeans, suéter e jaqueta de couro, tudo preto. Ele era parecido com Stefan. Ela ficou surpresa de não ter percebido isso antes. Tinha o mesmo cabelo escuro, a mesma pele clara, a mesma beleza perturbadora.
Mas o cabelo de Damon era liso, não ondulado, os olhos eram negros como a meia-noite e o sorriso era cruel.
Ele virou a cabeça lentamente para olhá-la e Elena viu o sangue subindo na face que havia estapeado.
— Não minta para mim — disse ela, a voz trêmula. — Eu sei quem você é. Sei o que você é. Você matou o Sr. Tanner ontem à noite. E agora Stefan desapareceu.
— Desapareceu, é?
— Você sabe que sim!
Damon sorriu e virou o rosto imediatamente.
— Estou avisando; se você o machucou...
— O quê, então? — perguntou. — O que vai fazer, Elena? O que você pode fazer contra mim?
Elena se calou. Pela primeira vez, percebeu que o vento havia cessado. O dia tornara-se silencioso em volta deles, como se estivessem imóveis, no meio de algum grande círculo de poder.
Parecia que tudo, o céu de chumbo, os carvalhos e as faias roxas, o próprio chão, estavam conectados a ele, como se ele extraísse Poder de tudo isso. Ele ficou parado com a cabeça um pouco inclinada para trás, os olhos insondáveis e cheios de
luzes estranhas.
— Não sei — sussurrou ela —, mas vou dar um jeito. Pode acreditar.
De repente ele riu e o coração de Elena sofreu um solavanco, dando início a uma série de fortes marteladas. Meu Deus, ele era lindo. Bonito era um adjetivo fraco e pálido demais.
Como sempre, o riso durou apenas um instante, mas deixou vestígios em seus olhos mesmo quando os lábios voltaram a ficar sóbrios.
— Acredito plenamente em você — disse ele, relaxando,
observando o cemitério. Depois se virou e estendeu a mão para ela. — Você é boa demais para o meu irmão — disse ele despreocupadamente.
Elena pensou em bater na mão para afastá-la, mas não queria tocar nele de novo.
— Diga onde ele está.
— Talvez mais tarde... Mas há um preço. — Ele retirou a mão, justo quando Elena percebia que nela havia um anel igual ao de prata e lápis-lazúli de Stefan. Lembre-se disso, pensou ela com veemência. É importante.
— Meu irmão — prosseguiu Damon — é um tolo. Para ele, como você é parecida com Katherine, deve ser fraca e se deixar levar facilmente, assim como ela. Mas ele está enganado. Posso sentir sua raiva do outro lado da cidade. Posso senti-la agora,
uma luz intensa como o sol do deserto. Você tem força, Elena, mesmo sendo como é. Mas pode ser muito mais forte...
Ela o fitou, sem compreender, sem gostar da mudança de assunto.
— Não sei do que está falando. E o que isso tem a ver com Stefan?
— Estou falando de Poder, Elena. — De repente, ele se aproximou
de Elena, os olhos fixos nos dela, a voz suave e urgente. — Você tentou de tudo e nada a satisfez. É uma garota que tem tudo, mas sempre existe algo fora de seu alcance, algo de que precisa desesperadamente e não tem. É justamente o que estou
oferecendo a você. Poder. Vida eterna. E sensações que nunca teve na vida.
Ela então entendeu e a bile subiu por sua garganta. Ficou sufocada de pavor e repúdio.
— Não.
— E por que não? — sussurrou ele. — Por que não experimentar, Elena? Seja franca. Não há uma parte de você que quer isso? — Os olhos escuros de Damon estavam tomados por um calor e uma intensidade que a mantinham petrificada, incapaz de desviar o olhar. — Posso despertar coisas que estiveram adormecidas aí dentro por toda sua vida. Você é forte o bastante para viver nas trevas, e de forma esplendorosa. Pode se tornar uma rainha das sombras. Por que não aceitar o Poder, Elena? Deixe-me ajudá-la a tê-lo.
— Não — disse ela, se forçando a desviar os olhos dos dele. Não ia encará-lo, não deixaria que ele fizesse aquilo. Não se permitiria esquecer... Esquecer...
— Este é o segredo definitivo, Elena — disse Damon. A voz
dele era tão suave quanto as pontas dos dedos que tocavam o pescoço dela. — Você será feliz como nunca na vida.
Ela precisava se lembrar de algo terrivelmente importante. Ele estava usando o Poder para fazê-la esquecer, mas Elena não permitiria isso...
— E vamos ficar juntos, você e eu. — As pontas daqueles dedos frios afagaram a lateral do pescoço de Elena, descendo pela gola do suéter. — Só nós dois, para sempre. Houve uma pontada súbita de dor quando os dedos dele roçaram as duas feridas minúsculas no pescoço de Elena, e a mente dela clareou.
Fizesse esquecer... Stefan.
Era isso que ele queria arrancar da mente dela. A lembrança de Stefan, de seus olhos verdes e daquele sorriso por trás do qual sempre havia uma tristeza oculta. Mas agora nada podia obrigá-la a tirar Stefan de seus pensamentos, não depois do que eles compartilharam. Ela se afastou de Damon, afugentando aqueles dedos frios. E então o encarou.
— Já encontrei o que eu quero — disse ela, rispidamente.
— E com quem quero ficar para sempre.
A escuridão brotou nos olhos dele, uma fúria gélida que varreu o ar entre os dois. Enquanto fitava os olhos de Damon, Elena pensou numa cobra prestes a dar o bote.
— Não seja idiota como meu irmão — disse ele. — Ou terei
de tratá-la da mesma maneira.
Agora ela estava com medo. Não pôde evitar, não com o frio que se derramava sobre ela e gelava seus ossos. O vento havia aumentado, os galhos se debatiam.
— Diga onde ele está, Damon.
— Neste momento? Não sei. Não pode parar de pensar nele nem por um instante?
— Não! — Ela estremeceu, o cabelo chicoteava seu rosto novamente.
— E esta é sua última resposta de hoje? Pense se realmente quer fazer este jogo comigo, Elena. As conseqüências não são nada divertidas.
— Tenho certeza disso. — Ela precisava impedi-lo antes que ele a dominasse novamente. — E você não pode me intimidar, Damon. Ou ainda não percebeu isso? No momento em que Stefan me disse o que vocês eram, o que faziam você perdeu todo o poder que poderia ter sobre mim. Eu odeio você. Sinto verdadeiro nojo. E não há nada que possa fazer a mim, nada.
O rosto de Damon se alterou, retorcendo-se e paralisando sem nenhuma sensualidade, tornando-se cruel e severo de tão amargurado. Ele deu uma risada breve.
— Nada? — disse ele. — Posso fazer qualquer coisa com você e com aqueles que mais ama. Você não faz ideia, Elena, do que sou capaz de fazer. Mas vai aprender.
Ele recuou e o vento cortou Elena como uma faca. A visão dela parecia estar se toldando; era como se raios luminosos preenchessem o ar diante de seus olhos.
— O inverno está chegando, Elena — disse ele, com um tom de voz claro e arrepiante mesmo sob o uivo do vento. — Uma estação implacável. Antes que ele venha, terá de aprender o que posso e não posso fazer. Antes que o inverno esteja aqui,
terá se unido a mim. Você será minha.
Aquela brancura retorcida a cegava e ela não conseguia mais enxergar o volume escuro da figura de Damon. Agora até a voz dele esmorecia. Ela envolveu o próprio corpo, de cabeça baixa, tremendo.
Então: sussurrou “Stefan...”
— Ah, e mais uma coisa — a voz de Damon voltou. — Você perguntou por meu irmão. Não se incomode em procurar por ele, Elena. Eu o matei ontem à noite.
A cabeça de Elena se ergueu de repente, mas não havia nada para ver, só aquela brancura vertiginosa, que queimava em seu nariz e no rosto e se acumulava sobre os cílios. Foi somente neste momento, enquanto finos grãos se acomodavam em sua
pele, que ela percebeu o que eram: flocos de neve.
Estava nevando no início de novembro. No horizonte, o sol se fora.




DIÁRIO DO VAMPIRO(DARK REUNION)








Em “Reunião Sombria”, quarto livro da série, Elena flutua em um misterioso limbo espiritual após se sacrificar para derrotar Katherine e salvar Stefan. Sua morte cobre Fell’s Church de tristeza e desalento, mas é preciso seguir em frente. Bonnie, a melhor amiga, decide guardar o diário de Elena e ali registra os lentos sinais de recuperação da cidade, acompanhada de perto por Meredith e Matt. Mas sonhos perturbadores com a amiga morta estão prestes a mudar tudo…
Pelos sonhos, Elena se comunica com Bonnie e avisa de um novo perigo a rondar a cidade. E só uma pessoa pode ajudá-los: Stefan. Mas o vampiro está desolado com a morte de Elena e tentando cumprir a promessa de permanecer ao lado de Damon. Os dois vagam sem rumo, sob a cruz de sua sina: a sede de sangue. Será que ele irá atender ao chamado inesperado que o colocará novamente no caminho de Elena – e daqueles que ela ama?



LEIA O PRIMEIRO CAPÍTULO:




As coisas podem ser como eram antes —disse Caroline, entusiasmada, estendendo o braço para apertar a mão de Bonnie.
Mas isso não era verdade. Nada nunca mais poderia ser como era antes da morte de Elena. Nada. E Bonnie tinha sérias dúvidas sobre a festa que Caroline estava tentando organizar.
Uma sensação perturbadora e vaga na boca do estômago lhe dizia que por algum motivo essa era uma ideia muito, mas muito ruim.
— O aniversário de Meredith já passou — observou ela. — Foi no último sábado.
— Mas ela não teve festa, não uma festa de verdade, como essa. Vamos ter a noite toda; meus pais só voltam no domingo de manhã. Vamos lá, Bonnie... Pense na surpresa que vai ser para ela.
Ah, ela vai ficar surpresa mesmo, pensou Bonnie. Tão surpresa que pode até querer me matar depois.
— Olha, Caroline, o motivo para Meredith não ter dado uma grande festa é que ela ainda não está em clima de comemoração.
Parece... falta de respeito, de certo modo...
— Mas isso é um erro. Elena ia querer que a gente se divertisse, você sabe disso. Ela adorava festas. E ela odiaria saber que ficamos sentadas e chorando mais de seis meses depois de ela ter morrido. — Caroline se inclinou para a frente, os olhos verdes
normalmente felinos agora francos e convincentes. Nada de artifícios nem da habitual manipulação desagradável de Caroline.
Bonnie sabia que ela estava sendo sincera.
— Eu queria que fôssemos amigas como éramos antes —
Disse Caroline. — Sempre comemorávamos nossos aniversários juntas, só nós quatro, lembra? E lembra que os garotos sempre tentavam invadir nossas festas? Será que vão tentar esse ano?
Bonnie sentiu o controle da situação lhe escapar. Era uma má ideia, esta era uma péssima ideia, pensou ela, mas Caroline continuava, com um olhar sonhador e quase romântico lembrando dos bons e velhos tempos. Bonnie não teve coragem de
dizer a ela que os bons e velhos tempos estavam tão mortos quanto a música disco.
— Mas nem somos mais quatro. Três não dão lá uma festa muito boa — protestou ela bem baixinho quando conseguiu dizer alguma coisa.
— Vou convidar a Sue Carson também. Meredith se dá bem com ela, né?
Bonnie tinha de admitir que sim; todo mundo se dava bem com Sue. Mas mesmo assim, Caroline precisava entender que as coisas não podiam ser como antes. Não se pode substituir Elena por Sue Carson e dizer, pronto, agora está tudo consertado.
Mas como explicar isso a Caroline?, pensou Bonnie. De repente ela entendeu.
— Vamos convidar Vickie Bennett — disse ela. Caroline a olhou.
— Vickie Bennett? Deve estar brincando. Convidar aquela idiotinha esquisita que tirou a roupa na frente de metade da escola? Depois de tudo o que aconteceu?
— Por causa de tudo o que aconteceu — disse Bonnie com firmeza. — Olha, sei que ela nunca foi da nossa turma. Mas ela não está mais com aquela galera barra pesada; eles não a querem e ela morre de medo deles. Ela precisa de amigos. Nós precisamos de gente. Vamos convidá-la.
Por um momento, Caroline ficou frustrada. Bonnie empinou o queixo, pôs as mãos nos quadris e esperou. Por fim, Caroline suspirou.
— Tudo bem; você venceu. Vou convidá-la. Mas você tem que levar Meredith na minha casa no sábado à noite. E Bonnie...
Cuide para que ela não tenha a menor ideia do que vai acontecer. Quero que seja uma surpresa de verdade.
— Ah, e será mesmo — disse Bonnie, de cara amarrada. Ela não estava preparada para a luz repentina na expressão de Caroline ou o calor impulsivo de seu abraço.
— Que bom que finalmente você começou a ver as coisas
do meu jeito — disse Caroline. — E vai ser tão bom à gente se reunir de novo.
Ela não entendeu nada, percebeu Bonnie, estupefata, enquanto Caroline se afastava. O que será que vou ter de fazer para explicar a ela? Dar um murro nela?
E depois: Ah, meu Deus, agora tenho que contar a Meredith.
Mas no fim do dia ela decidiu que talvez Meredith não precisasse saber. Caroline queria surpreender Meredith; bom, talvez Bonnie devesse dar essa surpresa a ela. Assim pelo menos Meredith não teria de se preocupar com isso de antemão. Sim,
concluiu Bonnie, devia ser mais generoso não contar nada a Meredith.
E quem sabe, escreveu ela no diário na sexta à noite. Talvez eu esteja sendo dura demais com Caroline. Talvez ela lamente de verdade por todas as coisas que nos fez, tipo tentar humilhar Elena na frente de toda a cidade ou tentar fazer com que Stefan fosse acusado de assassinato. Talvez Caroline tenha amadurecido desde então e tenha aprendido a pensar nos outros, não só em si mesma. Talvez a gente realmente consiga se divertir nessa festa.
E talvez eu seja abduzida por alienígenas amanhã à tarde, pensou Bonnie ao fechar o diário. Só o que lhe restava era a esperança.
O diário era um caderno barato, com uma capa de florezinhas.
Ela só começou a escrever quando Elena morreu, mas já ficou meio viciada nisso. Era o único lugar em que podia dizer o que quisesse sem que os outros ficassem chocados e dissessem, “Bonnie McCullough!” ou “Ah, Bonnie”.
Ela ainda estava pensando em Elena quando apagou a luz e se aninhou debaixo das cobertas.
Ela estava sentada no gramado luxuriante e bem cuidado que se estendia para todo lado, até onde a vista alcançava.
O céu era de um azul impecável, o ar era cálido e perfumado.
Passarinhos cantavam.
“Que bom que você pôde vir”, disse Elena.
“Ah... sim”, disse Bonnie. “Bom, naturalmente eu viria”.
“É claro.” Ela olhou em volta de novo, depois apressadamente para Elena.
“Mais chá?”
Havia uma xícara na mão de Bonnie, fina e frágil como casca de ovo.
“Ah... Sim. Obrigada.”
Elena estava com um vestido do século XVIII de musselina branca de gaze, que se grudava em sua pele, mostrando como era magra. Serviu o chá com precisão, sem derramar uma gota.
“Gostaria de um rato?”
“Um o quê?”
“Eu disse, gostaria de um sanduíche para acompanhar o chá?”
“Ah. Um sanduíche. Sim. Ótimo.” Era de pepino, em fatias finas com maionese em um delicado quadrado de pão branco.
Sem a casca.
A cena toda era tão bela e cintilante quanto uma tela de Seurat. Warm Springs, era onde estávamos. O antigo parque de piquenique, pensou Bonnie. Mas, sem dúvida, temos coisas mais importantes a discutir do que o chá.
“Quem tem arrumado seu cabelo ultimamente?”, perguntou Bonnie. Elena jamais conseguiu fazer isso sozinha.
“Você gosta?” Elena pôs a mão no cabelo sedoso e dourado claro que formava um coque na nuca.
“É perfeito”, disse Bonnie, parecendo por tudo no mundo a própria mãe num jantar das Filhas da Revolução Americana.
“Bom, o cabelo é importante, sabia?” Seus olhos brilharam com um azul mais escuro do que o céu, de lápis-lazúli. Bonnie tocou os cachos ruivos e abundantes, meio constrangida.
“É claro que o sangue também é importante”, disse Elena.
“Sangue? Ah, sim... claro”, disse Bonnie, aturdida. Não fazia ideia do que Elena estava falando e lhe parecia que estavam andando numa corda bamba acima de crocodilos. “Sim, o sangue de fato é muito importante”, concordou ela, desanimada.
“Mais um sanduíche?”
“Obrigada.” Este era de queijo com tomate. Elena escolheu um para si, mordendo-o delicadamente. Bonnie a olhou,sentindo a inquietação crescer a cada minuto dentro de si, e depois...
E depois ela viu a lama vazando pelas beiradas do sanduíche.
“O que... O que é isso?” O pavor deixou sua voz estridente.
Pela primeira vez, o sonho parecia um sonho e Bonnie descobriu que não conseguia se mexer, só ofegar e olhar. Uma massa espessa da coisa marrom caiu do sanduíche de Elena, sobre a toalha xadrez de mesa. Era lama mesmo. “Elena”... Elena, o
“que...”
“Ah, nós comemos isso por aqui.” Elena sorriu com os dentes sujos de marrom. Só que a voz não era de Elena; era feia e distorcida, e era uma voz masculina. “Você vai comer também.”
O ar não era mais cálido e perfumado; era quente e de um doce enjoativo, tinha cheiro de lixo podre. Havia covas escuras no gramado, que não era aparado e crescia desordenadamente.
Não era Warm Springs. Ela estava no antigo cemitério — como não tinha percebido isso? Só que os túmulos eram novos.
“Mais um rato?”, disse Elena, e riu de forma obscena.
Bonnie olhou o sanduíche meio comido em sua mão e gritou.
Havia um rabo marrom e viscoso pendurado na ponta. Ela o atirou com toda força que conseguiu reunir em uma lápide,na qual ele bateu com uma pancada úmida. Depois ela se levantou o estômago revirado, esfregando os dedos freneticamente no jeans.
“Não pode ir embora agora. Os convidados estão chegando.”
O rosto de Elena se transformava; ela já havia perdido o cabelo, e sua pele ficava aos poucos cinza e curtida. Coisas se mexiam no prato de sanduíches e nas covas, agora abertas. Bonnie não queria ver nada disso; achou que, se visse, ia enlouquecer.
“Você não é a Elena!”, gritou ela, e correu.
O vento jogou o cabelo em seus olhos e ela não conseguia enxergar. O perseguidor estava atrás dela; Bonnie podia sentir, bem atrás. Para a ponte, pensou Bonnie, correndo até esbarrar em alguma coisa.
“Estive esperando por você”, disse a coisa no vestido de Elena, a coisa esquelética e cinza com dentes compridos e tortos.
“Bonnie me escute.” Isso a reteve com uma força terrível.
“Você não é a Elena! Você não é a Elena!”
“Ouça Bonnie!”
Era a voz de Elena, a verdadeira voz de Elena, não parecia satisfeita e sorridente, nem densa e fria, mas urgente. Vinha de algum lugar atrás de Bonnie e cortou o sonho como um vento frio e fresco. “Bonnie, preste atenção, rápido...”
Tudo se desmanchava. As mãos ossudas nos braços de Bonnie, o cemitério rastejante, o ar quente e rançoso. Por um momento a voz de Elena ficou clara, mas era entrecortada como uma ligação interurbana ruim.
“... Ele está distorcendo as coisas, alterando tudo. Não sou tão forte quanto ele...” Bonnie perdeu algumas palavras, “... mas isto é importante. Você precisa descobrir... agora.” A voz dela sumia aos poucos.
“Elena, não estou ouvindo! Elena!”
“... um feitiço fácil, só dois ingredientes, aqueles que já disse...” “Elena!”Bonnie ainda gritava ao se sentar ereta na cama.


DIÁRIO DO VAMPIRO "ANOITECER" (NIGHTFALL)



SINOPSE:
O quinto livro começa com Elena voltando dos mortos. Ela volta do além com poderes humanos, o que faz seu sangue pulsar com uma força esmagadora e única, sendo irresistível para todos os vampiros.
Stefan está convencido em manter Elena segura e pretende deixar Fell’s Church. Damon, porém, é impulsionado por um desejo insaciável de poder, e quer que a Elena como sua princesa. Quando Stefan é afastado de Fell’s Church, Damon tenta convencer Elena que ele é o irmão que ela deveria ter escolhido, mas a escuridão está infiltrando a cidade e, agora Damon que sempre foi o caçador, está sendo a caça.
Ele é a presa de uma criatura maléfica que pode possuí-lo à vontade que deseja não somente o sangue de Elena, como também sua morte.

LEIA O PRIMEIRO CAPÍTULO:
Damon Salvatore estava recostado no ar, isto é, sustentado por um galho de... E quem sabia nomes de árvores?
Quem ligava para isso? Era alta e lhe permitia espiar o quarto de Caroline Forbes no terceiro andar, além de lhe proporcionar um apoio confortável para as costas. Ele se recostou na forquilha da árvore, as mãos entrelaçadas na nuca, uma das pernas com uma bota elegante pendendo a 9 metros do chão. Estava tão à vontade quanto um gato, de olhos semicerrados, e observava.
Esperava pelo momento mágico das 4h44 da manhã, quando Caroline faria seu ritual bizarro. Ele já o vira duas vezes e ficou enfeitiçado.
E então ele sentiu uma picada de mosquito.
O que era ridículo, porque os mosquitos não picavam vampiros.
Seu sangue não era nutritivo como o dos humanos. Mas sem dúvida parecia uma picadinha de mosquito na nuca.
Ele girou para ver o que havia atrás, sentindo a agradável noite de verão — e não viu nada.
Viu apenas as agulhas de alguma conífera. Não havia nada voando.
Nada andava por ali.
Então, tudo bem. Deve ter sido a agulha de uma conífera. Mas doeu, não havia dúvidas. E a dor piorava com o tempo.
Uma abelha suicida? Damon tateou com cuidado a nuca. Nenhuma bolsa de veneno, nenhum ferrão. Só um pequeno inchaço mole e dolorido.
Um instante depois, sua atenção voltou à janela.
Damon não sabia bem o que ia acontecer, mas pôde sentir, subitamente, o Poder em volta de uma Caroline adormecida, como um fio de alta tensão. Há vários dias isso o atraía a este lugar,mas depois que chegava ele não conseguia situar a origem.
O relógio bateu 4h40 e soou o despertador. Caroline acordou e parecia matar insetos pelo quarto.
Garota de sorte, pensou Damon, com um apreço malicioso. Se eu fosse um bandido humano e não um vampiro, sua virtude —supondo que lhe reste alguma — estaria em perigo. Felizmente para você, tive de abrir mão desse tipo de coisa há quase meio
milênio.
Damon abriu um sorriso para nada em particular, manteve-o por uma fração de segundo e o apagou, os olhos negros esfriando.
Ele olhou novamente pela janela aberta.
Sim... Ele sempre sentiu que o idiota do irmão mais novo, Stefan, não gostava o bastante de Caroline Forbes. Não havia dúvida de que a menina valia ser observada: pernas e braços longos e dourados, um corpo bem-feito e cabelo acobreado que caía em ondas no rosto. E havia também sua mente. Naturalmente distorcida, vingativa, rancorosa. Uma delícia. Por exemplo, se ele não estivesse equivocado, ela estava trabalhando com bonequinhas de vodu na mesa bem ali.
Excelente.
Damon gostava de ver um trabalho artístico.
O poder estranho ainda estava ali, e ele ainda não conseguia situá-lo. Era por dentro — na menina? Claro que não.
Caroline pegava apressadamente o que pareciam algumas teias de aranha de seda verde. Ela tirou a camiseta e — quase rápido demais para os olhos de um vampiro — vestiu uma lingerie que a deixava parecida com uma princesa da selva. Olhava
atentamente o próprio reflexo em um espelho vertical de corpo inteiro.
E agora, o que você pode estar esperando, garotinha?, perguntou- se Damon.
Bom — ele bem que podia continuar discreto. Houve um palpitar de sombras, uma pena cor de ébano caiu no chão, e só o que havia ali era um corvo excepcionalmente grande, empoleirado na árvore.
Damon observou com a atenção de um olho de ave brilhante enquanto Caroline avançava de repente como se tivesse recebido um choque, os lábios separados, o olhar fixo no que parecia o próprio reflexo.
Depois ela sorriu, cumprimentando-o.
Damon agora conseguia situar a origem do Poder. Estava dentro do espelho. Não na mesma dimensão do espelho, certamente, mas contido nele.
Caroline se comportava de um jeito... estranho. Atirou para
trás o comprido cabelo cor de cobre, para que caísse numa desordem magnífica pelas costas; lambeu os lábios e sorriu como quem se dirige a um amante. Quando falou, Damon a ouviu com clareza.
— Obrigada. Mas está atrasado.
Ainda não havia ninguém no quarto além dela, e Damon não ouviu resposta alguma. Mas os lábios de Caroline no espelho não se mexiam em sincronia com os lábios da menina real.
Bravo!, pensou ele, sempre disposto a apreciar um novo truque nos humanos. Muito bom, seja lá quem você for!
Lendo as palavras nos lábios da menina do espelho, ele pegou algo como desculpe. E linda.
Damon tombou a cabeça de lado.
O reflexo de Caroline dizia: ““... você não precisaria... depois de hoje”.
A verdadeira Caroline respondeu com a voz rouca.
— Mas e se eu não conseguir enganá-los?
E o reflexo: “... consiga ajuda. Não se preocupe, relaxe...”
— Tudo bem. E ninguém vai ter, tipo assim, um ferimento fatal,vai? Quero dizer, não estamos falando da morte... de humanos.
O reflexo: “E por que estaríamos...?”
Damon sorriu por dentro. Quantas vezes ouviu diálogos como este? Sendo ele mesmo como uma aranha, Damon sabia: primeiro prende-se a mosca na teia; depois a tranquiliza; e antes que ela se dê conta, você pode ter tudo, até não precisar mais dela.
E então — com os olhos pretos cintilando — estava na hora de uma nova mosca.
Agora as mãos de Caroline se retorciam no colo.
— Desde que você... sabe o quê. O que você prometeu. Você foi mesmo sincero quando disse que me amava?
“... confie em mim. Vou cuidar de você... e também de seus inimigos. Eu já comecei...”
De repente Caroline se espreguiçou, e de um jeito que os meninos da Robert E. Lee High School pagariam para ver.
— É isso que eu quero ver — disse ela. — Estou tão enjoada de ouvir Elena isso, Stefan aquilo... E agora vai começar tudo de novo.
Caroline se interrompeu abruptamente, como se alguém tivesse desligado o telefone na cara dela e só agora ela tivesse percebido.
Por um momento seus olhos se estreitaram e os lábios cerraram. Depois, lentamente, ela relaxou. Os olhos continuaram no espelho e uma das mãos se ergueu, pousando de leve na barriga.
Ela a olhou e, devagar, suas feições começaram a abrandar, a derreter numa expressão de apreensão e angústia.
Mas Damon não tirou os olhos do espelho nem por um segundo.
Espelho normal, espelho normal, espelho normal — là era! No último instante, enquanto Caroline se virava, um clarão vermelho.
Chamas?
Mas o que estaria havendo?, pensou ele preguiçosamente, palpitando ao passar de um corvo preto e lustroso para um jovem lindo de morrer, recostado num galho alto da árvore. Certamente a criatura do espelho não era de Fell’s Church. Mas parecia significar problemas para o irmão de Damon, e por um segundo um sorriso frágil e bonito tocou seus lábios.
Não havia nada que ele gostasse mais do que ver o hipócrita metido a santo sou-melhor-do-que-você-porque-não-bebo-sangue-humano do Stefan se meter em problemas.
Os adolescentes de Fell’s Church — e alguns adultos — consideravam a história de Stefan Salvatore e sua bela namorada local Elena Gilbert um Romeu e Julieta dos tempos modernos. Ela dera a vida para salvá-lo quando os dois foram capturados por
um maníaco, depois ele morreu de desilusão amorosa. Havia até cochichos de que Stefan não era lá muito humano... Mas outra coisa. Um amante demônio que Elena redimiu com sua morte.
Damon sabia da verdade. Era verdade que Stefan estava morto — tinha morrido há centenas de anos. E era verdade que ele era vampiro, mas chamá-lo de demônio era como considerar a Fada Sininho armada e perigosa.
Enquanto isso, Caroline não conseguia parar de falar para o quarto vazio.
— Espere aí — sussurrou ela, aproximando-se da pilhas de papéis e livros desorganizados que tomavam sua mesa.
Ela vasculhou a papelada até encontrar uma minicâmera de vídeo em que uma luz verde brilhava para ela como um único olho que não piscava. Delicadamente, ela conectou a câmera ao computador e começou a digitar uma senha.
A visão de Damon era muito melhor do que a humana e ele pôde ver com exatidão os dedos bronzeados de unhas compridas e cor de bronze: CFARRASA. Caroline Forbes arrasa, pensou ele.
Que sofrível.
Caroline se virou e Damon viu lágrimas em seus olhos. Em seguida, inesperadamente, ela estava aos prantos.
Ela se sentou na cama, chorando e se balançando, de vez em quando golpeando o colchão com o punho cerrado. Mas na maior parte do tempo chorava sem parar.
Damon ficou sobressaltado. Mas depois que passou o susto ele murmurou:
— Caroline? Caroline, posso entrar?
— O quê? Quem? — Ela olhou freneticamente em volta.
— É Damon. Posso entrar? — perguntou ele, a voz pingando uma falsa simpatia, ao mesmo tempo usando o controle da mente em Caroline.
Todos os vampiros tinham poderes capazes de controlar os mortais. Era ótimo que o poder dependesse de muitas coisas: da dieta do vampiro (o sangue humano era muito mais potente), da força de vontade da vítima, da relação entre o vampiro e a vítima, das flutuações do dia e da noite — e de muitas outras coisas que nem Damon chegava a entender. Ele só sabia quando sentia despertar seu próprio Poder, e ele estava despertando agora.
E Caroline esperava.
— Posso entrar? — disse ele no tom mais musical e sedutor, ao mesmo tempo esmagando a força de vontade de Caroline sob a dele, muito mais poderosa.
— Sim — respondeu ela, enxugando rapidamente os olhos, aparentemente sem ver nada de incomum em Damon entrando por uma janela do terceiro andar. Eles se fitaram nos olhos. —Entre, Damon.
Ela pronunciara o convite necessário para um vampiro. Com um movimento elegante, ele pulou o peitoril. O interior do quarto tinha cheiro de perfumes — e não era nada sutil. Ele agora se sentia muito selvagem — era surpreendente como a febre de sangue aparecia de modo tão repentino e irresistível. Seus caninos se estenderam em quase metade de seu tamanho e as pontas eram afiadas com navalha.
Não havia tempo para conversar, para se demorar como Damon costumava fazer. Para um gourmet, é claro que metade do prazer estava na expectativa, mas agora era uma necessidade. Ele utilizou intensamente o Poder que tinha para controlar o cérebro
humano e abriu um sorriso estonteante para Caroline.
Foi o que bastou.
Caroline avançava para ele, mas de repente parou. Os lábios, parcialmente
abertos para fazer uma pergunta, continuaram separados; e as pupilas de repente se dilataram como se ela estivesse num quarto escuro, depois se contraíram e continuaram contraídas.
— Eu... Eu... — tentou falar. — Ooohhh...
Pronto. Ela era dele. E com tanta facilidade.
As presas de Damon latejavam com uma dor agradável, um desconforto terno, chamando-o a atacar com a velocidade do bote de uma cobra, afundar inteiramente os dentes numa artéria.
Ele estava com fome — não, morto de fome — e todo seu corpo ardia do impulso de beber profusamente. Afinal, havia outras para escolher, se ele secasse este vaso.
Com cuidado, sem tirar os olhos dela, ele levantou a cabeça de Caroline para expor o pescoço, vendo a pulsação doce latejando em sua depressão. Isto encheu todos os sentidos de Damon: as batidas do coração, o cheiro do sangue exótico pouco abaixo da superfície, denso, maduro e doce. A cabeça de Damon girava. Ele nunca ficou tão excitado, tão ansioso...
Tão ansioso que o fez parar. Afinal, uma menina era tão boa quanto qualquer outra, não é? Que diferença havia desta vez?
Qual era o problema dele?
E então ele entendeu.
Terei minha mente de volta, obrigado.
De repente a mente de Damon voltara a ser fria como gelo; a aura sensual em que estivera preso se dissipou. Ele largou o queixo de Caroline e ficou imóvel.
Ele quase tinha caído sob a influência da coisa que usava Caroline.
Ela tentara seduzi-lo a quebrar a promessa feita a Elena.
E novamente viu um risco vermelho no espelho.
Era uma daquelas criaturas atraídas ao centro de poder que Fell’s Church se tornara — ele sabia disso. Estivera usando-o, incitando-o, tentando conseguir que ele esvaziasse Caroline. Que tirasse todo o seu sangue, matasse uma humana, algo que ele não fazia desde que conheceu Elena.
Por quê?
Numa fúria gélida, ele se controlou e sondou com a mente em todas as direções, tentando descobrir o parasita. Ainda devia estar ali; o espelho era só um portal para que percorresse pequenas distâncias. E estivera controlando Damon — ele, Damon Salvatore—, então devia estar bem perto.
Ainda assim, ele não conseguiu encontrar nada. Isso o deixou ainda mais colérico do que antes. Passando os dedos distraidamente pela nuca, ele mandou uma mensagem sombria:Vou avisá-lo uma vez, e só uma vez. Fique longe de MIM!
Ele enviou o pensamento como uma explosão de Poder que brilhou como um raio a seus próprios sentidos. Deve ter atingido alguma coisa próxima — vinda do teto, do ar, de um galho... Talvez até do quarto ao lado. Em algum lugar, uma criatura deve ter
caído no chão e ele devia sentir.
Mas embora Damon pudesse sentir as nuvens se escurecendo no alto em resposta a seu estado de espírito e o vento roçando os galhos lá fora, não houve a queda de um corpo, nem uma tentativa de retaliação mortal.
Ele não sentia nada perto o bastante para ter entrado em seus pensamentos e nada a distância que pudesse ser tão forte. Damon às vezes se divertia fingindo ser fútil, mas por dentro tinha uma capacidade lógica e fria de analisar a si mesmo. Ele era forte. Sabia disso. Desde que se mantivesse bem nutrido e livre de sentimentos
de fraqueza, poucas criaturas podiam se opor a ele — pelo menos neste plano.
Duas estavam bem aqui em Fell’s Church, apartou uma vozinha um tanto insolente em sua mente, mas Damon afugentou-a, com desdém. Sem dúvida não poderia ser outro vampiro dos Antigos por perto, ou ele os sentiria. Vampiros comuns, sim, eles já apareciam aos bandos. Mas eram fracos demais para entrar na mente dele.
Damon tinha a mesma certeza de que não havia criatura a seu alcance que o pudesse desafiar. Ele teria sentido, assim como sentiu as linhas de força flamejantes de poder mágico e misterioso que formavam um ponto de conexão sob Fell’s Church.
Ele olhou novamente para Caroline, ainda imóvel sob o transe em que a colocara. Ela sairia dele aos poucos e não estaria pior pela experiência — ao menos pelo que ele fez a ela.
Damon se virou e, com a elegância de uma pantera, pulou da janela para a árvore — e caiu facilmente de pé no chão, a 9 metros de distância.






PERSONAGENS:
LIVROS:
Elena Gilbert
: A menina de ouro, a líder, quem pode ter qualquer menino que quer. A garota mais popular de Fell’s Church se apaixona por Stefan, um estrangeiro. Ela está decidida a conquistá-lo, ainda que isso coloque sua vida em risco.

Stefan Salvatore: Misterioso, ele parece ser o único que consegue resistir Elena, mesmo quando ele luta para protegê-la dos horrores que assombram seu passado. Vivendo à sombra de sua história, ele precisa resistir a Elena. Mas não pode fugir de sua natureza: é um vampiro, e talvez não seja capaz de controlar seus instintos.

Damon Salvatore: Um vampiro tão poderoso quanto perigoso, sexy e dirigido por um desejo de vingança contra Stefan, o irmão que o traíu. Determinado em ter Elena, ele mataria para tê-la.

Meredith: Inteligente e a voz da razão no grupo de Elena, Meredith é uma das melhores amigas dela, e faria qualquer coisa para ajudá-la.

Bonnie McCullough: Descendente dos druids e possuidora de poderes, Bonnie é exatamente quem você imagina quando pensa em meninas petites e delicadas, mas atrás deste exterior, há uma companheira que faria – e faz – de tudo para auxiliar Elena em suas conquistas e em seus problemas.

Caroline Forbes: Ex-amiga e, agora, arquiinimiga de Elena, Caroline quer competir em tudo com ela. Até mesmo na busca pelas atenções do novo garoto que chega na escola, Stefan Salvatore.

Matt: Ex-namorado de Elena, ele faria de tudo para ajudá-la, mesmo que isso signifique auxiliá-la na conquista de outro rapaz.




Série de TV
Elena Gilbert: Ela é apaixonante, bela e gentil. Uma menina de 17 anos que já foi popular na escola, mas após uma tragédia ela mudou: seus pais foram mortos em um acidente de carro quatro meses antes. Ela agora vive com seu irmão mais novo Jeremy e sua Tia Jenna. A maior parte do tempo, Elena tenta apenas curtir o dia com a ajuda de suas amigas Bonnie e Caroline e com seu ex-namorado Matt, que ela conhece desde criança. A vida de Elena muda com a chegada de Stefan, um misterioso e educado aluno novo cujo passado e identidade estão envoltos em um mistério.

Katherine Pierce: A vampira que transformou Damon e Stefan Salvatore, fingiu que morrerá num incêndio de uma igreja, em Mystic Falls de 1864, pois esta fugia(e ainda foge) dos Originais. Conseguiu escapar de Mystic Falls, conseguindo enganar os Originais durante séculos porém quando Damon e Elena abrem a tumba, onde supostamente Katherine deveria estar, descobre-se que nunca lá esteve e está viva. Os Originais acaba por descobrir isso a a caçada a Katerina Petrova retorna, apareceu novamente no último episódio da temporada de Vampire Diaries. Elena é idêntica a Katherine, esta resolveu aproveitar a semelhança se passando por ela, e atacando John Gilbert. Retornou agora na segunda temporada onde começa a criar muitos problemas aos irmãos Salvatore e a Elena, pois faz-se passar por ela enumeradas vezes, quer uma pedra a “Selenita” pois com a pedra e o sangue de Elena pode quebrar uma maldição.

Stefan Salvatore: O “gloriosamente, espantosamente, épico, belo jovem, elegante”, ele parece ter 17 ou 18, mas ele é realmente um vampiro de 150 anos que tem vindo a Mystic Falls em busca de Elena. Stefan é educado e reservado, mas fácil de conversar, e intensamente voam faíscas entre ele e Elena, que compartilham a experiência de ter perdido os seus pais.

Damon Salvatore: É o irmão de Stefan. Um homem misteriosamente bonito, forte e encantador, além de ser um vampiro que passa do casual para a brutalidade em apenas alguns segundos. O interesse de Damon em Elena irrita Stefan. Apesar dele odiar cidadelas e as considerar inúteis, é claro que ele chegou a cidade para causar o mal. Diferente de seu irmão, Damon não tem problemas em matar humanos.

Jeremy Gilbert: Tem 15 anos e é o irmão problemático de Elena. No verão, começou a transar com uma garota mais velha, Vicki, e gostaria de continuar com sua relação agora que retornaram as aulas, mas ela o ignora na frente de seu namorado, Tyler. No entanto, ela continua comprando drogas para ele. Jeremy fuma muita maconha, além de beber muito afim de superar a morte de seus pais quatro meses atrás.

Bonnie Bennett: Tem 17 anos, é adorável, leal e melhor amiga de Elena. Bonnie possui algumas habilidades psiquícas e sente que Stefan é perigoso. Ela também tem uma visão que a morte está seguindo Elena. Descobre posteriormente que é uma bruxa.

Caroline Forbes: Tem 17 anos e é a típica rainha da popularidade, além de ser amiga/rival de Elena. Apesar de gostar muito de Elena, Caroline sente ciúmes de sua relação com Stefan. Quando Caroline dá em cima do vampiro em uma festa, ele a humilha e a rejeita.

Matt Donovan: Tem 17 anos, é muito bonito e é irmão de Vicki. Ele conhece Elena desde pequeno e era seu namorado. Entretanto, ele fica preocupado quando o garoto novo, Stefan, começa a dar em cima de sua garota.Ele queria que eles voltassem, mas sabe que ela precisa de um tempo após a morte de seus pais e ele está dando um espaço e tempo.

Jenna Sommers: Tem 29 anos, é a tia de Elena e Jeremy que toma conta dos dois após a morte de seus pais, ela é uma sexy e inteligente universitária que se esforça muito. Ela costuma ser engraçada e fazer o tipo de “boa praça”.

Tyler Lockwood: Tem 18 anos, é atlético e atraente, além de ser um idiota. Um típico macho alfa que gosta de marcar seu território, com Vicki, por exemplo. Tyler não deixar de pertubar seu amigo Matt devido a sua garota estar dando em cima do novo garoto na cidade
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NINA DOBREV

A atriz nascida no dia 9 de Janeiro de 1989 em Sofia, Bulgária, mudou-se para o Canadá aos 2 anos e tem vivido em Toronto desde então. Desde muito nova mostrou grande talento e entusiasmo para as artes: dança, ginástica, teatro, música, artes visuais e atuação.

Os trabalhos como modelo levaram à publicidade, que logo virou audições para filmes. Pouco tempo depois ela já tinha pápeis reservados nos filmes “Fugitive Pieces”, “Away From Her” e na popular série televisiva “Degrassi: The Next Generation” na CTV.

Nina adora viajar e tem visitado a Europa frequentemente, tanto por lazer, como também representando o Canadá em competições internacionais de ginástica. Também curte jogar vôlei, futebol, snowboard, natação, escalada e andar a cavalo.

Mas acima de tudo sua paixão é atuar, e vê isso como uma aventura que está apenas começando.

PAUL WESLEY

Paul Wesley (também creditado como Paul Wasilewski) nasceu no dia 23 de Julho de 1982, em New Brunswick, New Jersey. Estaduniense, mas de ascendência polaca, cresceu em Marlboro.

Tem uma irmã mais velha, Monika, e duas irmãs mais novas, Julia e Leah. Tornou-se interessado pela atuação após ser matriculado em um programa de Verão de artes, no terceiro grau.

Estreiou na televisão em “Another World” da NBC, em 1964, onde interpretou o personagem de “Sean McKinnon ‘. Teve papéis em Guiding Light, Smallville, The OC, 8 Simple Rules, Wolf Lake, Cane, e American Dreams. E talvez seja melhor conhecido por seu papel como Tommy Callahan em Everwood.

IAN SOMERHALDER

Filho de uma massagista terapeuta e um empreiteiro, Ian Joseph Somerhalder nasceu e foi criado na pequena cidade do sul de Covington, LA. Nascido em 8 de dezembro de 1978, é um ator estadunidense, conhecido especialmente por seu papel como Boone, no seriado Lost.

Aos 10 anos sua carreira como modelo teve início, que o levou até New York. Mas apesar disso, deixou a mesma em segundo plano e se dedicou mais ao esporte e à escola.

Anos depois, o trabalho como modelo fez surgir uma oportunidade de ir à Europa, para onde viajou e estudou em cidades como Paris, Milão e Londres.

Aos 17 anos começou a estudar interpretação em New York. E foi aos 19 que se comprometeu com seu trabalho, atuando juntamente ao autor Willian Esper. Durante todo esse tempo, Somerhalder atuou em Black and White de James Toback, e na televisão fez participação em um episódio da aclamada série da CBS: Now and Again.

No ano seguinte, protagonisou a série da Warner Bros: Young Americans, interpretando um estudante da Rawley Academy, um personagem complicado por se questionar sobre sua orientação sexual.

Além disso, fez publicidades para Dolce & Gabanna, Guess, Espirit, Versace, entre outras. E em 2004 foi escalado para a série Smallville, como Adam Knight, para contracenar com Lana Lang.

Participou efetivamente da 1ª temporada da série Lost, com participações na 3ª. Seu personagem era apaixonado pela irmã postiça Shannon, que o desprezava. Se aproximou de Locke, e juntos encontraram a escotilha e o bimotor nigeriano que acabou despencando com Boone dentro, causando sua morte.

CANDICE ACCOLA


Candice Accola estrelou seu primeiro filme no ano de 2007. O filme era Pirate Camp e foi um enorme sucesso para a Candice, como ela teve mais dois papéis. O primeiro foi uma aparição no seriado de TV (2007) e o outro era uma pequena aparição no premiado filme Juno (2007). Ela também estrelou em mais dois filmes no mesmo ano, um chamado, onde ela atuou contra Brittany Snow, e X & O’s.

Candice tem programado para o futuro os filmes Deadgirl, Kingshighway e The Truth About Angels, que saem este ano (2009).

Mas ela tem crescido muito no estrelato por causa de sua voz incrível. Ela tem sido uma back-up cantora e dançarina da Miley Cyrus durante sua turnê “Hannah Montana/Miley Cyrus: Best of Both Worlds Concert Tour” em 2008. E ela tem seu próprio álbum também de músicas principalmente sobre seu rompimento com um ex-namorado. O álbum é chamado de It’s Always The Innocent Ones e foi lançado em 2008.

Neste momento, Candice interpreta uma personagem da série Vampire Diaries, como Caroline Forbes.

Um comentário:

  1. ESTOU ASSISTINDO A SÉRIE E É BEM LEGAL!!!! GOSTEI!!! VOU ATRAS DA 2ªTEMPORADA AGORA!

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